Doenças inflamatórias intestinais: alimentação individualizada é aliada no controle dos sintomas

Da redação
Especialistas em saúde digestiva vem reforçando cada vez mais a importância da alimentação no cuidado de pessoas com doenças inflamatórias intestinais (DIIs), como a Doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. Embora a dieta não seja considerada causa única nem tratamento isolado dessas doenças crônicas, ela pode influenciar sintomas, estado nutricional e qualidade de vida. O assunto ganha mais força com a aproximação do Dia do Nutricionista, celebrado em 31 de agosto. "A alimentação precisa ser entendida como parte do tratamento, mas de forma individualizada. Não existe uma receita única para todos os pacientes com DIIs e as escolhas alimentares devem considerar o momento da doença, os sintomas e as necessidades nutricionais de cada pessoa", explica a gastroenterologista da Cliagen (Grupo CITA) Genoile Santana. As DIIs afetam mais de 5 milhões de pessoas no mundo, segundo a Sociedade Brasileira de Patologia.
Durante os períodos de remissão dessas doenças, recomendações atuais defendem uma alimentação equilibrada, variada e inspirada no padrão mediterrâneo, com frutas, vegetais, carboidratos complexos, proteínas magras e gorduras monoinsaturadas, além da redução de alimentos ultraprocessados, excesso de açúcar e sal. A orientação, porém, muda conforme a atividade da doença. Em fases de crise ou diante de complicações, como estreitamentos intestinais, textura e quantidade de fibras podem precisar de ajustes. "Restringir alimentos por conta própria pode aumentar o risco de deficiências nutricionais e até de perda de peso. O ideal é identificar individualmente o que desencadeia ou piora os sintomas, sem transformar a alimentação em uma lista permanente de proibições", orienta Aline Pereira, nutricionista voltada para gastropediatria na Cliagen. Ela informa também a necessidade do acompanhamento nutricional e recomenda avaliação para deficiências de ferro e vitamina D, além de vitamina B12 em pacientes com comprometimento ou cirurgia do íleo.
Outro ponto de atenção, segundo a nutricionista, é que sintomas gastrointestinais, como diarreia, dor abdominal, distensão, perda de apetite e emagrecimento, podem levar o paciente a reduzir excessivamente a variedade da dieta. Por isso, o acompanhamento conjunto entre gastroenterologista e nutricionista é importante tanto para controlar os sintomas quanto para preservar massa muscular e evitar desnutrição. "O objetivo não é simplesmente retirar alimentos, mas garantir que o paciente continue recebendo energia, proteínas, vitaminas e minerais suficientes para o organismo funcionar adequadamente", afirma Aline Pereira. Em casos específicos de Doença de Crohn, estratégias nutricionais terapêuticas, como a nutrição enteral exclusiva ou dietas de exclusão específicas, podem ser utilizadas sob supervisão especializada.
Para a gastroenterologista Genoile Santana, a principal mensagem para quem convive com uma DII é evitar dietas restritivas baseadas em informações encontradas na internet e sempre buscar orientação profissional. "A alimentação pode ser uma importante aliada, mas não substitui o tratamento médico. O paciente deve manter o acompanhamento regular e comunicar ao médico e ao nutricionista qualquer mudança importante nos sintomas, perda de peso ou dificuldade para se alimentar", destaca. No Dia do Nutricionista, a data também reforça o papel desse profissional na prevenção, recuperação e manutenção da saúde, especialmente em situações que exigem estratégias alimentares individualizadas, como as doenças inflamatórias intestinais.




