Tempo muda, nariz sente: variações climáticas podem piorar rinite e problemas respiratórios em crianças
Otorrinolaringologista explica como mudanças de temperatura, umidade e fatores ambientais afetam as vias respiratórias dos pequenos e alerta para sinais que merecem atenção

Da redação
As crianças podem ser as primeiras a sentir os efeitos das mudanças no clima. Em Salvador, mesmo com um inverno de temperaturas mais amenas, as oscilações entre períodos de chuva e sol, a maior umidade e as variações térmicas ao longo do dia podem contribuir para o aparecimento ou agravamento de sintomas respiratórios. Dados do clima para agosto apontam temperaturas médias na capital baiana entre 23ºC e 25ºC, com ocorrência frequente de chuva.
Nariz entupido, coriza, espirros, tosse e irritação na garganta costumam ser algumas das queixas mais frequentes nos consultórios durante os períodos de mudanças climáticas. Para crianças que já apresentam rinite, sinusite ou outras condições respiratórias, os sintomas podem ser ainda mais intensos.
A relação entre clima e saúde respiratória ganhou ainda mais atenção recentemente. Especialistas têm apontado que alterações de temperatura e umidade, associadas à poluição e à presença de alérgenos no ambiente, podem agravar doenças como rinite, asma e infecções respiratórias.
Segundo a médica otorrinolaringologista, Dra Flávia Perrucho, é importante que os pais não confundam sintomas recorrentes com uma simples mudança de tempo. "É muito comum ouvirmos que a criança "fica gripada quando o tempo muda", mas nem sempre estamos diante de uma infecção. A variação climática pode funcionar como um gatilho para crises de rinite e outras alterações das vias respiratórias. Por isso, quando a criança apresenta nariz entupido, espirros, coriza ou tosse com frequência, é importante observar a duração e a repetição desses sintomas", explica.
Em Salvador, outro fator que merece atenção é a combinação entre umidade e ambientes fechados. Em períodos de chuva, é comum que famílias mantenham portas e janelas fechadas por mais tempo, o que pode favorecer a concentração de poeira, ácaros e outros agentes irritantes. Para crianças alérgicas, esse cenário pode contribuir para o agravamento dos sintomas.
A especialista destaca que o problema não está necessariamente na temperatura mais baixa, mas na combinação de diferentes fatores ambientais.
"O organismo precisa se adaptar constantemente às mudanças de temperatura e umidade. Em uma criança que já possui uma mucosa nasal mais sensível, como acontece nos casos de rinite, essa variação pode desencadear inflamação e obstrução nasal. Quando o nariz fica constantemente entupido, a criança pode começar a respirar pela boca, roncar e apresentar até alterações na qualidade do sono", afirma Dra. Flávia Perrucho.
Rinite ou Gripe?
Uma das principais dúvidas dos pais é saber diferenciar uma crise alérgica de uma infecção respiratória. Embora alguns sintomas sejam semelhantes, existem características que podem ajudar na identificação.
Na rinite, é comum que a criança apresente espirros repetidos, coriza geralmente clara, coceira no nariz e nos olhos e obstrução nasal. Já quadros infecciosos podem vir acompanhados de febre e mal-estar, dor de garganta, tosse e alteração no aspecto das secreções, embora esses sinais não sejam suficientes, isoladamente, para estabelecer um diagnóstico.
"Os sintomas podem se sobrepor e, por isso, não é recomendado que os pais tentem fazer o diagnóstico sozinhos. Uma criança com rinite não controlada, por exemplo, pode apresentar sintomas frequentes e ter sua qualidade de vida prejudicada sem que a família perceba que existe uma condição de base que precisa ser tratada", alerta a médica.
Entre os sinais que merecem atenção estão os sintomas respiratórios persistentes ou recorrentes, nariz constantemente entupido, respiração pela boca, ronco frequente, sono agitado, tosse recorrente e dificuldade para realizar atividades cotidianas por causa da respiração.
Para prevenir crises, a recomendação é manter os ambientes limpos e arejados, evitar acúmulo de poeira e mofo, incentivar a hidratação e manter a lavagem nasal quando indicada pelo médico. Crianças que já possuem diagnóstico de rinite, sinusite ou outras doenças respiratórias devem manter o acompanhamento médico regular e seguir corretamente o tratamento prescrito.
"Não existe uma fórmula única para todas as crianças. O mesmo estímulo pode desencadear sintomas diferentes em cada paciente. E as vezes, os mesmos sintomas podem significar problemas diferentes. Por isso, mais importante do que tratar apenas o sintoma quando ele aparece é entender por que ele está acontecendo e, quando necessário, estabelecer uma estratégia de prevenção", finaliza Dra. Flávia Perrucho.




